Num mundo com tanta gente, estar sozinho é ironia....
Como pode ser? Aqui, ali, acolá, pessoas lhe sorriem pessoas
lhe dizem olá, pessoas dizem ‘conte comigo’... contar? Ah sim, número
1.973.873.000... de uma população de um lugar qualquer. Somente assim podemos
contar!
Estamos sós, numa imensidão populosa.
Cada dia que passa acredito mais que o mundo não é o que
pensamos ser, que ele é simplesmente nada , diante do que nós somos.
E o que somos? Uma ilha, cercada de um mar de gente que nos refresca
porem não nos alimenta.
O mundo de cada um é si próprio. Temos alguém que nos cuide,
até começarmos a caminhar, compreender e ter atitudes próprias, daí pra frente,
somos “eu e eu” o outro é uma exceção de um momento qualquer, uma passagem que
por ventura cruzamos e nunca sabemos qual sua extensão. Nem mesmo de nós,
quando, como, onde teremos nosso fim...
Aproveitar cada instante... sim! Respiro, aproveito a luz do
dia para me aquecer, cuidar do que acho que é pra ser cuidado, mesmo não tendo
diferença, faço o que acho que deve ser feito. Esperar? Esperar o que? Quem? Por
quê? Rsrsrsrr Ilusóes da vida. A vida não para, não espera, não quer saber se você vai demorar ou
não, ela simplesmente segue, te levando como o curso de um rio, para desaguar
em um lugar que se chama fim do começo de um lugar qualquer.
Escrever... esse é o jeito que escolhi para dizer o que
sinto. Dizer? Dizer a quem? Sei lá? Alguém que leia. Alguém quem? Alguém
qualquer que queira ler, que não tenha o que fazer, alguém que talvez por
curiosidade ache que deva saber da vida dos outros porque foge da sua.
Escrever é a única coisa que “sei fazer”, minha vida é isso!
Palavras que voam ao vento sem ter destino próprio, onde cada palavra pode ter
um significado diferente, onde cada um lê como desejar, onde cada interpretação
leva do bom ao mal em apenas um segundo.
Queria um fim, mas sou covarde. Covardia essa que me faz
esconder até de quem amo as necessidades que possivelmente eu teria.
Vivo só por opção, escrevo porque gosto, amo... porque
simplesmente amo, não fiz escolhas, fui escolhida para cada uma das coisas sem
saber vive-las.
Cada conquista, recebo aplausos, esses de pura formalidade,
pois nada difere em suas vidas.
Vida? O que é? Ainda não descobri. É um respirar de cada
vez? É um sorriso pra disfarçar sua dor, é um olhar uma mão amiga que não recebe
só doa...puts... não cobro! Juro que
não! Doo-me por completo para ver o outro feliz, não importa quanto me custe, o
outro não precisa saber, o que importa é a felicidade do outro, saber que eu
alavanquei isso , mas... o outro parte... com sua felicidade embaixo dos braços,
diz adeus e vai-se embora rsrs e eu fico aqui a espera de um outro alguém que
chegue precisando de um empurrão, precisando de um sorriso e um abraço ‘amigo’ para continuar... e estou aqui... e mais uma vez vejo a
partida...
É isso a vida!
Vindas e partidas, e eu o porto que recebe diz oi e adeus a
cada um... desejando sempre a felicidade plena de cada um deixando partir um
pedacinho de meu coração com cada um, coração esse que ainda tem muito a
dividir, ou será doar? Acho que é mais certo doar, pois dividir... é complexo
de mais.
Vou, continuo, sem coragem de parar, até quando? Não sei,
mas sei que um dia de um jeito ou outro terá um fim.
Agora está sol, daqui a pouco chove, a agua leva consigo
lares inteiros, vidas, sonhos... Só não leva minha dor...