
Quando nossa única companhia é o silencio, dialogamos e
chegamos a conclusões conflituosas. Discutimos sobre o certo e o errado, entre
o sim e o não, entre o ontem e o amanhã, discutimos sobre desejos de poder
fazer um amanhã diferente, no entanto a resposta é o vazio inocente da dúvida
contínua da existência real de um amanhã.
Calar a mente é ato de difícil sucesso. Quanto mais
desejamos deixar de ouvir o silencio que nos fala, mais alto ele nos grita chamando
para as verdades irreais da ilusão que a vida nos oferece.
Conflitos, atritos, lutas, derrotas, vitórias, empates...
Quando o silencio vai desistir e tomar como aliado a palavra viva?
Lutamos pela vida! Pela vida que não é nossa, pela vida que
desejamos ter, que sonhamos, que nos prende ao fio que nos segura para não
cairmos em abismo infindável.
Quando esse silencio se rompe, faz zumbir nossa alma,
sacode, balança, assola nosso coração, perturbando nosso intimo e destruímos a
chance da conquista do monologo conjunto entre os seres.
Silencio que faz parte da conversa, silencio que faz parte
da intrigante vontade da descoberta de si; silencio que nos desafia para um
caminhar sólido solitário; silencio que grita e espanta companhias falantes
destrutivas do castelo invisível de algo que talvez um dia more lá.
Agora... somente silencio como companhia...
Silencio como melhor amigo...
Silencio como caminho, partida e chegada....
Silencio...
Somente silencio...