segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Pássaro querido

Vem! Voa para mim, pássaro querido!
Venha e me conte sobre seus cantos, encantos e desencantos
Cante sobre suas aventuras, os mares que conheceu, as montanhas que sobrevoou
Cante sobre as árvores que pousou, os céus que viu, do azul mais sublime ao cinza mais profundo
Seu regorgear me encanta, assim como teu canto.
Tuas histórias que fascinam
Teu canto que canta lamentos, dores e sofrimentos
É o mesma que transforma em contentamento, deleite e alegria
Teu voo que leva e elava tudo
Pouso de repouso
Asas que nunca se cansam, que buscam caminhos
Que te leva e deixa saudade e te traz e me faz feliz
Pássaro querido, abro minha janela a te esperar
Vejo ao longe, tantos outros como ti
Só não sei qual janela vão pousar, qual canto vão cantar
Mas o seu... Ah, pássaro meu
Sei bem cada nota que me toca
As cores que vibram a cada nota
O brilho que trazes contigo
Da água da chuva que cai ao bater de suas asas
Transformando em arco-iris pelo calor de teu coração
Vem! Voa para mim, pássaro querido!
Deixarei munha janela aberta
Sempre, a te esperar...



sábado, 27 de fevereiro de 2016

Ao anoitecer

Quando a tarde vai chegando ao fim, me debruço na janela para apreciar o sol se desfazendo por entre as montanhas verdes e frescas.
Inalo o ar fresco que vem e vai, juntamente com o hino dos pássaros que aos poucos retornam a seus ninhos e começam a aquietar-se.
Num profundo e longo suspiro limpo minha mente apreciando os tons variados pintados na tela divina. Tons de rosa, azul, violeta, laranja, tudo misturado porem tão bem definidos, difícil descrever em palavras.
E meus ouvidos, como se fossem portas a abrir-se lentamente, começa a ouvir o som do silencio profundo e intrigante.
Olho o horizonte e lá estão estampados os contornos das montanhas que eram verdes e frescas, agora pintadas num azul tão profundo que confundem-se com o restante da paisagem que lhe cerca.
Me dou conta que horas passei ali, apreciando mais um espetáculo da natureza.
Baixinho e distante ainda se faz ouvir o curso das águas que por ali passam, antes despercebido devido burburios do entardecer, agora fazem-se presente como se fizessem ladear nossa residencia.
E lá se vai mais um suspiro.
Em passos lentos afasto-me da janela e, uma de cada vez, trago as venezianas, como cortinas a encerrar mais um ato das maravilhas da natureza.
Caminho pela casa, de comodo em comodo, cerrando janela a janela, cobrindo-as com as leves cortinas em tons claros e desenhos delicados escolhidos carinhosamente para cada ambiente.
Fecho as portas, e a sala, embora as luzes já apagadas, permanece clara pela luz radiante do luar que atravessa as frestas das venezianas que sobrepõem as vastas janelas de vidro que nos permite ver o terraço de onde ainda temos a bela vista das montanhas e da represa que nos banha.
Vou para o quarto, me visto para dormir. Deito-me e percebo que, sem querer devo ter deixado alguma luz acesa. Vejo pelo vão da porta uma claridade que não sei exatamente de onde poderá estar vindo.
Levanto-me e vou caminhando, atravessando o corredor, olhando para todos os lados, tentando descobrir de onde vem a luz. Chego a sala e a luz se intensifica, a varanda é toda tomada por ela como se esperasse o abrir da porta para poder penetrar por toda casa.
Toc-toc. Alguém bate a porta. Ao abrir deparo-me com você estendendo-me as mãos. Então percebo que a luz que fez da noite o dia, irradia de teu coração, vem juntamente com tuas palavras, teus desejos, teus gestos de carinho
Luz que aquece, que acolhe, que ilumina, que modifica, que cria esperanças, que ameniza dores, que oferece alívio, que faz o despertar um novo capítulo e o anoitecer o refazimento.
Então percebo, que tua presença faz sentido e nossa casa da serra ilumina a noite de todos, permitindo uma noite de paz, tranquilidade e refazimento para cada um.
Sentamo-nos na cadeira de balanço da varanda, convidamos as estrelas para festejar sublime momento de um reencontrar.

Claudia Mello