sábado, 26 de outubro de 2013
Honoré de Balzac
"O amor é a poesia dos sentidos. Ou é sublime, ou não existe. Quando existe, existe para sempre e vai crescendo dia a dia."
sábado, 12 de outubro de 2013
Escalada
Escrever
é algo que me faz ser quem eu sou ser quem não sou ser quem gostaria de ser...
Escrever
é o mesmo que sonhar acordado por lugares desejados ou ainda desconhecidos é
criar novos horizontes de um mundo inexistente, porem tão real quanto aquilo
que fica registrado.
Durante
um tempo escrever era um vício, uma vontade interminável de colocar a vista
tudo que passava em meu coração, em minha mente, desejos, sentimentos, fantasias,
sonhos...
Aos
poucos fui sendo surpreendida pela falta de jeito, pela falta de tato com as palavras,
pela falta de sentido ou por sentidos diversos dados a essas palavras, que
passaram a confundir o real sentido de tudo que escrevia.
Então,
parei! Parei de sonhar sonhos para sonhar verdades, parei de imaginar para
poder viver, parei de sentir para não sofrer, me desliguei de tudo, deixando as
palavras que me rodeavam as idéias que explodiam em meus dedos na escrita fazerem parte de um
livro que jamais será lido por alguém, pois esse existe somente em meu coração.
Momentos
não muito felizes tomaram conta de tudo, fazendo-me repensar tudo que já fiz, o tanto que me dediquei, o
tanto que amei, o tanto que desejei, serem levados nessa enxurrada de
acontecimentos que a vida me impôs.
Assim o
tempo foi passando e com ele a vontade de escrever. Nem mais em meus
pensamentos corriam paginas de aventuras sem fim pelo meu mundo fantasioso. Um
vazio, uma fenda profunda dispensava minhas idéias deixando um eco infindável de
brancos que permitiam ler-me conforme o desejo de cada um, fazendo-me ser
reconhecida por aquilo que eram, desejavam, daquilo que lhes era conveniente,
daquilo que lhes fazia feliz e eu, deixei de existir.
Tentando
retomar, tentando escalar a muralha que me separa da vida real imaginada da
vida de sonhos nublados. Tentando chegar ao topo para ver o que me espera do
outro lado, para poder ter coragem de ver quão longe é o horizonte e tentar
alcançá-lo, sem pressa, sem medo, sem tentar imaginar os obstáculos que terei
de enfrentar, sem pensar em tudo aquilo que virá a ficar do outro lado da
muralha escalada, permitindo ser deixado tudo e tentar um novo recomeço.
A
bagagem faz-se pesada, tento desfazer-me aos poucos de acordo com sua importância,
tentando chegar ao cume com o mínimo necessário, somente com o que precisarei
para iniciar uma nova jornada.
Ainda
falta um bocado, olho para cima e ainda não vejo o alto, mas sei que está lá,
por vezes ainda escorrego retardando minha chegada, mas ainda não desisti, nem
pretendo. Tem horas que me faltam forças e busco dentro de minha bagagem algo
que me fortaleça. Encontro palavras de carinho de pessoas que adoraria citar,
mas não faço para que não se sintam obrigadas a ficar, pois cada um tem sua
trilha, cada um tem sua própria muralha, seu próprio horizonte.
Tentando
recomeçar, retirando as nuvens escuras para que possa voltar a ver o sol,
sentir o calor a aquecer minh’alma . Voltar a respirar e ouvir os sons da
natureza inspiradora que envolvia desde sempre com musicas suaves a me
embalar transportando-me ao universo sem fim de minhas escritas onde o real e imaginário
se misturam dando sentido a uma vida de sonhos, conquistas, derrotas e glorias,
porem que fazem valer tudo que desejei um dia.
Sonhar e viver, desejar e ter, fazer valer cada momento sem
pensar no amanhã, dar sentido ao inexplicável, chorar pelo tempo implacável,
lembrar do olhar vago aprofundando-se no ser, da voz a sussurrar, das palavras
de sentido absoluto repetida milhares de vezes fazendo-se acreditar que tudo é
real até que chegue ao final.
Dizer
adeus ao sonho, as alegrias, aos momentos de espera, abraçar a realidade
solitária, não é tarefa fácil, porem verdadeira. que tem que ser acreditada e
vivida como se fosse possível andar pelo arco-íris e esperar um final feliz.
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