De tudo o que restou foram as lembranças...
Nunca se imagina o que passaremos na realidade. Sonhamos,
desejamos, mas as coisas acontecem e nos faz perceber que nossos sonhos e
desejos nos movem, mas a realidade nos conduz.
O sonho de realizar um projeto, lutar por ele, vê-lo
crescendo desenvolvendo, você vencendo cada etapa, é algo indescritível. Participar,
dividir os momentos de cada passo fazia parte do sonho...
Acabou... o sonho se tornou realidade mas ainda parece
incompleto.
Existe uma lacuna que ainda não foi preenchida, uma lacuna
que de quando em quando era preenchida por outro vazio.
Difícil de entender? Não, não é!
Vazio sim, algo não verdadeiro, passageiro, algo que da
mesma forma que aparece desaparece, algo que não deixa rastro, não deixa
marcas, não deixa nem ao menos lembranças algo que existe sem expressão, sem
contornos, sem sentido... simplesmente: nada... vazio...
Porem outras, poucas e raras, chegaram. Umas já existiam,
reavivaram e continuam acesas. Outras acenderam as luzes das expectativas,
deixando interrogações, frases sem pontos, um rio correndo para chegar a algum
lugar ou a lugar algum. Outras ainda... que difícil entender, fixaram-se sem
poder ficar, estão sem estar, são sem poder ser... tudo parece girar, não
consigo compreender, mas sei que tudo isso vai acabar e algo de muito bom vai
acontecer.
Anjos que não tem asas, mas voam para não mais voltar, vidas
que vivem longe da minha, promessas que não se cumprem, sonhos que se
desmancham...
No entanto sentimentos que vivem e sabemos que é para todo
sempre e mais um dia...
São esses que nos levam a continuar, a querer, a desejar que
amanhã seja melhor, seja diferente, seja mais feliz, mais real, que o sonho não
seja simplesmente um sonho, mas uma realidade a se formar com a força dos mais
puros desejos de um dia poder olhar e dizer que as lembranças não ficaram para trás,
mas que elas são nosso passado mais recente, pois aconteceu agora e continuará
acontecendo para que nunca percamos a esperança da realização do sonho real.
Sinto saudade... saudade que dói... saudade que nunca se
vai... saudade de poder sonhar de verdade, sem precisar acordar e ver que o
sonho real é a distancia que existe e não pode ser transposta, guardada a sete
chaves, mas nunca esquecido. Princípios que isolam, mas nunca consolam o coração
que ainda bate forte com a lembrança do sonho vivido.
E tudo será assim, para todo sempre e mais um dia...