sábado, 19 de junho de 2010

Caminhos


Caminhos

Desde muito cedo aprendi que caminhos são para serem percorridos.

Aprendi que existem caminhos de pedras que nos esfolam por fora e muitos por dentro, deixando marcas profundas e cicatrizes; caminhos de flores, algumas com espinhos, mas se soubermos lidar com cuidado nos deixará somente seu eterno perfume gravado em nossa alma; existem caminhos solitários algumas vezes por que nos são impostos outras por escolha própria; caminhos cheios de pessoas, pessoas essas que conhecemos ao longo de nossa jornada, pessoas que somente passam pessoas que nem chegamos a conhecer, mas que por um segundo fizeram parte de nossa historia, mas existem caminhos que não escolhemos caminhos esses os quais somos levados pela vida, pelo coração, pelo amor, pela angústia, pela dor.

Cada um de nós escolhe um caminho e esse por sua vez nos leva a atalhos que nos permite a loucuras instantâneas, a fazermos coisas que por vezes nos arrependemos. Pegamos atalhos por julgarmos ser o caminho mais curto para atingirmos nossos objetivos, mas que na realidade estão apressando nossa dor. Caso sejamos mais ponderados procuraremos percorrer as longas estradas, sem pressa de chegarmos a um lugar que nem bem conhecemos, mas sabemos que existe. Percorreremos essa estrada sem pressa de permitir que a vida passe. Estradas essas que desfrutamos cada pedaço percorrido, onde aprendemos o valor das mãos que nos ergue o valor da lágrima derramada, do sorriso, do abraço, da palavra e ainda mais, o valor do silêncio.

Longas estradas já foram percorridas, muitas pessoas desistiram no meio do caminho, pelas dificuldades que lhe foram apresentadas, decidindo pegar atalhos e depois da desilusão, retomaram sua velha e longínqua estrada, retomando seu caminho e tentando ganhar o tempo perdido, sem fazer longas paradas somente vivendo um passo após o outro se deixando levar pelos momentos.

Outras pessoas, essas sim, mais sábias, percorreram suas estradas, sem se quer olhar para traz, nem pensando no amanhã, para saberem quanto ainda haveriam de percorrer. Essas pessoas viveram de verdade, pois faziam de cada instante um momento único, um momento de verdadeira realização, e que na manhã seguinte não mais estaria lá.

Os atalhos que pegamos são aqueles que não perduram são aqueles caminhos que passamos sem deixar rastros, caminhos sem importância, caminhos que conseguimos lembrar vagamente ou nunca nos lembraremos.

Já as longas estradas são aquelas que nos exigem várias paradas, exigem de nós, o traçar de novas rotas para não nos perdermos.

São nessas longas estradas que realmente conhecemos a vida. É nelas que aprendemos o significado de viver, amar e sofrer. Todos estão interligados, pois se não vivemos não amamos, se não amamos não sofremos, então para que viver?

Estamos aqui para percorrer a estrada da vida, onde aprendemos que a dor nada mais é que o sentimento de amor. Se amamos sofremos pela ausência, sofremos pela lágrima derramada, sofremos pela dor sentida, sofremos pela partida.

Então no final de nossa estrada quando chegarmos ao nosso novo ponto de partida poderemos dizer: Sofri pois amei e por amor vivi, por querer viver por amor, a grande estrada percorri, pelas pedras passei, do frio da solidão me escondi, em um coração me encontrei e contigo, agora, sempre estarei.

Minha estrada tem nome e endereço, é A Vida e mora em meu coração.


12/06/10