quarta-feira, 21 de março de 2012

Margens da vida


Depois de algum tempo tentando assentar os sentimentos, percebo que tudo continua em seu percurso, coisas que passaram repousaram em algum lugar profundo outras se revolveram com a força das aguas e vez ou outra emergem mostrando que algo ainda está por ser finalizado.
Sentimentos vêm e vão, alguns pegam o embalo da ida sem fim, outros repousam as margens da vida deixando suas marcas, outros ainda persistem em querer passar por outros caminhos distanciando-se do todo evaporando ao sol deixando de existir.
Meu Deus! Por quanto tempo ainda percorrerei esse caminho? Até onde chegarei? O que me espera? Por quais margens poderei depositar o que vim trazendo por toda minha vida? Qual rumo cada uma há de tomar? O que delas poderei levar?
Por quantos caminhos ainda hei de passar, quantas pedras  revirar, por quantas margens  poderei me recostar?
O tempo passa, assim como as águas que levam consigo  doces desejos, lembranças, alegrias e tristezas, momentos de pura beleza, de sorrisos a lágrimas de plantios e colheitas, de sonhos fantasias e realidades que acabam por desaguar no infinito mar profundo que segredos guarda em seu azul celestial, tirando de nós o poder de conduzir, perdendo as margens que nos guia lançando-nos a sorte de nos reencontrarmos numa nova terra firme que nos acolha e nos permita um novo recomeçar.




Foto: Marcelo Hirata